1. Cinema e filosofia
O que o cinema tem a oferecer à filosofia? Passado mais de um século de sua história, dificilmente se poderia duvidar que essa arte tenha oferecido contribuições importantes a filósofas# e filósofos. Quantos de nós já não recorreram a filmes como meios eficientes para ilustrar problemas e/ou teorias filosóficas, no intuito de torná-las mais acessíveis? Temos aqui um caso de contribuição pedagógica à filosofia#: a suposição nesses casos é que sabemos de antemão o que pode (e o que não pode) ser considerado um problema e/ou uma reflexão filosófica legítimos e que, de posse de tal critério, podemos identificar nos filmes algum tipo de “apoio” para essa reflexão. Mas será que o cinema pode oferecer alguma contribuição propriamente filosófica à filosofia? Nas próximas postagens argumentarei que sim: pelo menos alguns filmes podem funcionar como exercícios filosóficos, o que implica que eles podem expor problemas e propor soluções filosóficas em seus próprios termos, suscitando mudanças no modo de vermos as coisas que normalmente associamos a (alguns tipos de) filosofia, e que ao fazê-lo podem nos ensinar o que é (e o que não é) filosofia.